segunda-feira, 20 de abril de 2009

mistérios

'bom dia! o de sempre, ou o capuccino?'
'por deus, o de sempre'
ela riu, e eu pude me deleitar com a graciosidade deste riso largo. tanto tempo concentrado em seus quadrizes, que deixei escapar outras minúcias da moça do café. além do riso largo, um olhar oblíquo que ao mesmo tempo que estremece meus alicerces, também atiça minha curiosidade acerca de seus anseios, pensamentos e sentimentos. e o que dizer a respeito de seu andar? a cada passada, é como se ela pisasse em meu coração sem causar dor. e uma voz firme, mas ao mesmo tempo terna me despertou de minhas divagações.
'sabe, todos os dias você vem, pede seu café, mas nunca diz nada. não sei nem o seu nome'
'é verdade, desculpe a indelicadeza. meu nome é raimundo. e o seu?'
'clarice'
'igual à canção'
ela baixou o olhar e riu, não sei se por conhecer ou desconhecer a canção. percebi que ela ruborizara, e então me perguntei se, assim como na canção, ela guarda algum mistério.

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