quinta-feira, 3 de setembro de 2009

riso

não é o só riso propriamente dito o que me provoca tanto encantamento. é também aquele ínfimo lapso no tempo que precede o riso, como se ela risse antes com os olhos. é o preâmbulo de um riso largo que atinge em cheio o meu espírito.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

tatuagem

mulher, se eu pudesse te prenderia aqui ao meu lado. mas que incoerência seria te privar da liberdade que tanto me encantou. prefiro que sigas teu caminho, mas te guardarei em mim, feito tatuagem no pensamento.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

mistérios

'bom dia! o de sempre, ou o capuccino?'
'por deus, o de sempre'
ela riu, e eu pude me deleitar com a graciosidade deste riso largo. tanto tempo concentrado em seus quadrizes, que deixei escapar outras minúcias da moça do café. além do riso largo, um olhar oblíquo que ao mesmo tempo que estremece meus alicerces, também atiça minha curiosidade acerca de seus anseios, pensamentos e sentimentos. e o que dizer a respeito de seu andar? a cada passada, é como se ela pisasse em meu coração sem causar dor. e uma voz firme, mas ao mesmo tempo terna me despertou de minhas divagações.
'sabe, todos os dias você vem, pede seu café, mas nunca diz nada. não sei nem o seu nome'
'é verdade, desculpe a indelicadeza. meu nome é raimundo. e o seu?'
'clarice'
'igual à canção'
ela baixou o olhar e riu, não sei se por conhecer ou desconhecer a canção. percebi que ela ruborizara, e então me perguntei se, assim como na canção, ela guarda algum mistério.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

martírio

'bom dia! já sei. um café puro. bem forte.'
'hoje eu quero um capuccino'
pelo olhar indiferente da moça do café, minha tentativa de não ser tão previsível não surtiu efeito algum. minto. por um ínfimo lapso temporal creio que ela se perguntou a razão da súbita mudança. mas a repetição dos mais simples atos parecem esmigalhar como uma marreta qualquer sinal de curiosidade. ou o mais provável é que eu tenha sido demasiado pretencioso ao acreditar que uma mudança em meus hábitos cafeinômanos seria motivo pra iniciar um colóquio.
quando me foi servido o capuccino lembrei-me que gosto apenas de café. sem misturas. sem invenções. então é isso, sou apenas uma xícara de café puro.
sorver o capuccino só não foi um martírio, pois ao alcance de minha vista estavam eles, os quartos da moça do café.
a propósito, não sei ainda seu nome.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

dilemas contemporâneos parte 3 - educação

desculpem-me uma eventual grosseria, mas minha boa educação foi desgastada pelo demasiado uso corporativo.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

dilemas contemporâneos parte 2 - sapiência

de repente me sinto um pobre diabo por ser o único no recinto a saber sobre o que versa a canção.

dilemas contemporâneos parte 1 - interesse

o olhar dela, como que me uma broca, perfurava minhas barreiras de inibição e adentravam o cerne de minha alma. comecei a pensar que um olhar daquele era o espelho de uma mente mais avançada, questionadora, cheia de curiosidade. porém, meu interesse foi por água abaixo quando percebi que ela era groupie de banda cover.