domingo, 30 de novembro de 2008

quase cheia

'pois não?'
'um café. bem forte'
'açúcar ou adoçante?'
'puro'
neste momento, a moça do café me olhou com estranheza. decerto, tanta agitação em meu espírito acabava por se exteriorizar. sorvi com delícia um gole da preciosa bebida sob o exame desconfiado da moça e quando ela se virou deixei meus olhos pousarem no desenho de seus quartos. hipnotizado pelos movimentos de suas ancas no vai-e-vem das primeiras horas do dia, esqueci, por alguns instantes, das inquietações rasas que costumam me atordoar pela manhã. quando despertei do meu transe, percebi que o restante do café esfriara. tirei do bolso o dinheiro amassado, coloquei-o sobre o balcão e fui-me embora, deixando a xícara quase cheia.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

correnteza

é forçoso admitir, caro amigo, que eu teria evitado tamanho quiproquó se tivesse agido covardemente. sabia que minha pretensão era infundada, e ainda assim mergulhei de forma imprudente nas águas tortuosas que são os lençóis daquela dama. teria me afogado; contudo aquela correnteza traidora não foi supresa; me agarrei então, aos galhos na margem e livrei-me do imbróglio.