decidi hoje me entupir de toda sorte de porcarias.
me encanta a nomenclatura dos ingredientes de tais iguarias: glutamato monossódico, guanilato dissódico, inosinato dissódico, dióxido de silício, dextrose...
desconfio que tudo isso deva fazer mal.
domingo, 7 de dezembro de 2008
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
meio-sorriso
"pois não?"
"um café..."
"já sei, bem forte. nem açúcar, nem adoçante. acertei?"
tal e qual um néscio, respondi com um meio-sorriso.
"você não fala nada?"
desta vez respondi com um levantar da sobrancelha esquerda. ela riu e se virou, como se soubesse do efeito que suas cadeiras produzem em mim.
é indubitável que a moça do café me acha um idiota.
"um café..."
"já sei, bem forte. nem açúcar, nem adoçante. acertei?"
tal e qual um néscio, respondi com um meio-sorriso.
"você não fala nada?"
desta vez respondi com um levantar da sobrancelha esquerda. ela riu e se virou, como se soubesse do efeito que suas cadeiras produzem em mim.
é indubitável que a moça do café me acha um idiota.
domingo, 30 de novembro de 2008
quase cheia
'pois não?'
'um café. bem forte'
'açúcar ou adoçante?'
'puro'
neste momento, a moça do café me olhou com estranheza. decerto, tanta agitação em meu espírito acabava por se exteriorizar. sorvi com delícia um gole da preciosa bebida sob o exame desconfiado da moça e quando ela se virou deixei meus olhos pousarem no desenho de seus quartos. hipnotizado pelos movimentos de suas ancas no vai-e-vem das primeiras horas do dia, esqueci, por alguns instantes, das inquietações rasas que costumam me atordoar pela manhã. quando despertei do meu transe, percebi que o restante do café esfriara. tirei do bolso o dinheiro amassado, coloquei-o sobre o balcão e fui-me embora, deixando a xícara quase cheia.
'um café. bem forte'
'açúcar ou adoçante?'
'puro'
neste momento, a moça do café me olhou com estranheza. decerto, tanta agitação em meu espírito acabava por se exteriorizar. sorvi com delícia um gole da preciosa bebida sob o exame desconfiado da moça e quando ela se virou deixei meus olhos pousarem no desenho de seus quartos. hipnotizado pelos movimentos de suas ancas no vai-e-vem das primeiras horas do dia, esqueci, por alguns instantes, das inquietações rasas que costumam me atordoar pela manhã. quando despertei do meu transe, percebi que o restante do café esfriara. tirei do bolso o dinheiro amassado, coloquei-o sobre o balcão e fui-me embora, deixando a xícara quase cheia.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
correnteza
é forçoso admitir, caro amigo, que eu teria evitado tamanho quiproquó se tivesse agido covardemente. sabia que minha pretensão era infundada, e ainda assim mergulhei de forma imprudente nas águas tortuosas que são os lençóis daquela dama. teria me afogado; contudo aquela correnteza traidora não foi supresa; me agarrei então, aos galhos na margem e livrei-me do imbróglio.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
tensão
a tensão que pairava no ar poderia ser cortada com um machado, tal qual uma cajazeira centenária. ainda assim, eu acreditava se tratar da minha imaginação mundana.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
no bairro
embolando por estas ruas de paralelepípedos, percebo que ela está impregnada no bairro. não sei se foi ela quem tomou o bairro para si, ou se ocorreu o inverso, mas sinto a presença dela em meio a esses prédios.
rua da guia, rua da moeda, praça do arsenal, rua do bom jesus, rua marquês de olinda...
ela agora está voando em outro lugar, bem longe; mas venho ao bairro para vê-la, pois estas ruas estão coloridas por suas palavras.
rua da guia, rua da moeda, praça do arsenal, rua do bom jesus, rua marquês de olinda...
ela agora está voando em outro lugar, bem longe; mas venho ao bairro para vê-la, pois estas ruas estão coloridas por suas palavras.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
algibeira
gosto de usar palavras e expressões que ninguém mais usa. gosto do som, gosto do tom sépia com que elas embotam minha mente.
algibeira, sandice, sumidouros, sensaboria, de soslaio, taverna, sofreguidão, pataquadas...
com efeito, sou afeto à elas.
gosto também de conjugar corretamente os verbos. gosto da solenidade do modo indicativo, gosto da ternura do subjuntivo. gosto da adorável graça dos tempos verbais.
com efeito, sou afeto à tudo isso.
hoje os tempos verbais parecem ser outros, a saber: pretérito esquecido, presente imperfeito e futuro incerto.
algibeira, sandice, sumidouros, sensaboria, de soslaio, taverna, sofreguidão, pataquadas...
com efeito, sou afeto à elas.
gosto também de conjugar corretamente os verbos. gosto da solenidade do modo indicativo, gosto da ternura do subjuntivo. gosto da adorável graça dos tempos verbais.
com efeito, sou afeto à tudo isso.
hoje os tempos verbais parecem ser outros, a saber: pretérito esquecido, presente imperfeito e futuro incerto.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
lapso
...mas meu amigo, o que é isto? como se simples reticências fossem um pedido de com licença, por favor. ah, não! a dificuldade sempre foi arrematar no fim, começar é fácil - não comece aquilo que não podes terminar, alguém me disse.
meu amigo, não creio que estas linhas mereçam maiores elucubrações. escrevo sobre o que? ora, amigo meu, se tivesse esta resposta, certamente não teria feito tal indagação. a caneta desliza no papel, e ainda procuro um assunto. talvez as reticências - aquelas, lá em cima - signifiquem que isto não passa de um arremedo de pensamento, um lapso temporal expresso em palavras vãs.
não comece aquilo que não podes terminar, alguém me disse. a dificuldade se dá no arremate, meu amigo. com licença, por favor, vou deixar o fim por conta das reticências...
meu amigo, não creio que estas linhas mereçam maiores elucubrações. escrevo sobre o que? ora, amigo meu, se tivesse esta resposta, certamente não teria feito tal indagação. a caneta desliza no papel, e ainda procuro um assunto. talvez as reticências - aquelas, lá em cima - signifiquem que isto não passa de um arremedo de pensamento, um lapso temporal expresso em palavras vãs.
não comece aquilo que não podes terminar, alguém me disse. a dificuldade se dá no arremate, meu amigo. com licença, por favor, vou deixar o fim por conta das reticências...
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